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Convivendo com a ansiedade

by - janeiro 12, 2017


   Sobreviver e não viver: frase que define perfeitamente o que é conviver com a ansiedade. Você está presente, mas não está vivendo, não vive o hoje, pois está pensando no amanhã ou pior está pensando no ontem. O que poderia ter feito ou deixado de fazer. E esquece completamente que passado não se muda, afinal nos pensamentos eles são moldáveis. É um ciclo: você volta ao passado e tenta molda-lo da melhor forma possível, mas enquanto isso seu presente está acontecendo e nesse momento ele está virando mais um passado passível de molde.


   Não ter certeza do não ficar bem é uma insegurança constante. O medo é ainda pior quando estamos bem, pois sabemos que a crise pode aparecer a qualquer momento. A ansiedade ataca nos momentos mais inoportunos e sempre mostra como pode mudar o seu dia sem ter motivos específicos. Ter que tomar um decisão simples, ter que comprar uma roupa nova e até mesmo levantar da cama, se tornam algo beirando o impossível. É uma novela diária em que a sobrevivência se torna a protagonista. É por exemplo, ter um dia maravilhoso e em questão de segundos encarar uma crise. Queria poder dizer que se trata de uma gripe porque tomamos o maravilhoso chá da vovó e estava resolvido. Mas me refiro a crises onde chás infelizmente não alcançam.


   Ansiedade pode vim barulhenta ou silenciosa. A última você se ver deitada por horas, apenas derramando pequenas lágrimas, seu coração está acelerado e ânsia de vômito mesmo fraca já te incomoda e você fica ali procurando várias e várias formas para se acalmar. Olhando desesperadamente o relógio passar, especificando exatamente o tempo que você perdeu e a culpa começa a surgir e é nesse momento que você lembra de todas as vezes que isso aconteceu e a culpa pelo passado pesa ao ponto de você não conseguir dormir. 

   Quando o cansaço enfim te vence você consegue dormir, porém seu cérebro não, ele sabe que você precisa sentir aquilo e ele quer te culpar por isso, então inicia o ciclo de pesadelos. Seus piores medos em uma playlist no modo repeat. O melhor é acordar, mas quem disse que você consegue? Depois de tanto repetir a fita você acorda e estamos de frente a primeira ansiedade, uma confusão barulhenta. Ao acordar você precisa se concentrar em apenas uma coisa: respirar. Você precisa lembrar disso porque o resto será impossível de controlar. Impossível controlar a tremedeira, o choro que puxa a lágrima do fundo do peito, e a ânsia de vômito que antes apenas incomodava, agora se transformou em um vômito que você não quer encarar porque sabe que esse é um preço que você odeia pagar.


   As dificuldades com estudo começou cedo, lembro de na 4ª serie já chorar por não conseguir lidar com a matemática. Assim como todo mundo sofreu quando houve a mistura de letras e números, eu também sofri, no entanto eu passava 24 horas pensando no motivo de ter perdido 10 pontos ao errar o X da questão. E ainda passava as mesmas 24 horas imaginando qual seria o outro X da outra questão da outra prova. Foi uma tortura diária. 

   Em meio a tudo isso, começou também os problemas de autoestima. A escola tem bem a tendência de trazer isso. O principal sempre foi o peso. Eu odiava ser gordinha e principalmente bochechuda. Então teve também a luta pelo corpo capricho (meninas que eu via nas revistas que eu lia). Mas é claro que isso não acontecia, pois a genética realmente me traiu. 

   O preço do meu corpo ideal eu vim pagar anos depois, quando me vi com 39,5 quilos em meio a uma quase depressão e em lugar onde não se podia gritar por ajuda e ainda cercada por um medo constante.

   Voltando aos estudo: quando o ensino médio chegou eu comecei a aprender que as vezes temos que aceitar não sermos os melhores e a cobrança interna diminuiu, foi a melhor fase. Eu realmente vivi sem angustia. Queria lembrar o segredo, mas acho que isso sim era fase, está bem não passou de uma fase. 

  Em 2015 senti tudo voltando, perceber aquilo acontecendo me fez pensar pela primeira vez em pedir ajuda. Era época de ENEM, e a pressão de ter o curso perfeito, a cidade perfeito e a vida perfeita me consumiu de tal forma que acabei perdendo a chance de ter tudo isso. Aliais corrigindo, eu não perdi, eu adiei, pois algo que eu aprendi é que nunca é tarde para fazer qualquer coisa.


   Em meio a tudo isso, ouvir das pessoas frases como: "você vai ficar bem", "é só uma fase", "você precisa ser menos dramática" "tem gente pior que você", "faz algo! você também só fica nessa cama", foi com toda a certeza as coisas me fizeram me sentir bem mais horrível. Acredite eu sei que existe gente passando fome, que existe gente em zona de guerra, que têm mulheres sofrendo agressões e que sei lá tem gente com deficiências. Mas se comparar dores me fizesse me sentir melhor eu tinha me curado lendo O menino do Pijama Listrado. Como já disse: tudo isso acaba sendo pior, pois mesmo sabendo da situação mil vez pior de milhares de pessoas eu ainda me sinto péssima. 

    Quem sofre com ansiedade não gosta de está com ansiedade. É uma sensação que eu realmente não recomendo. Devido a várias formas de romantizar a bad, em 2016, parece que ficou bonito ter ansiedade, porem quem convive com isso sabe que não há nada de romântico em: tentar fazer algo e não conseguir, acordar no meio da noite depois de terríveis pesadelos, lidar com compulsiva, ter ataques de pânico no meio da rua, chorar por nada, mudar de humor constantemente, faltar morrer por causa de um trabalho da faculdade, chorar porque tem que esperar 15 minutos em uma fila, não conseguir ficar em silêncio, ter horríveis ânsias de vômitos e até mesmo vomitar sua comida favorita. Então, isso é de longe uma sensação ótima de sentir.


  Em Fevereiro de 2016 eu fui diagnosticada com TAG, Transtorno da Ansiedade Generalizada. Mesmo ouvindo da boca da psicóloga eu passei uns dias pra aceitar e entender. Na maioria das vezes, e assim como todo mundo, eu julgava ser frescura, afinal doença de cabeça era pra louco. Assim que eu recebi o laudo eu sair do consultório, voltei ao apartamento e chorei. O laudo não era apenas um mar de dúvidas era também um mar de certeza, a certeza que eu teria que conviver com aquilo por toda a minha vida. Eu poderia apenas controlar, amenizar ou esquecer, mas nunca curar. Então eu desisti das consultas.

   No dia 23 de Março de 2016, eu tive a pior crise que posso lembrar. Eu comecei a sentir os sintomas que já tinha falado com a psicologa: mesmo estando no claro eu sentia como se o medo da escuridão sempre estivesse ali. Mesmo falando com todos os meus amigos eu me sentia sozinha. Mesmo recebendo uma abraço eu me sentia desprotegida. Em resumo: eu tive medo. Medo do passado, medo do presente e mais medo ainda do futuro. Eu senti como se nada pudesse me deixar melhor e realmente nada podia me deixar melhor.
   
   Aprendi tempos depois que há sempre uma saída. As vezes achamos que nada pode melhorar e de repente elas simplesmente melhoram. Acredite sempre nisso. Da mesma forma que a ansiedade vem ela também vai. Eu sei que é difícil aceitar tal incerteza, no entanto, esse é um dos vários preços de conviver com a ansiedade. É uma escolha que as vezes precisamos seguir. Hoje eu posso dizer que estou aqui por mim. Eu sou uma pessoa feliz. Acredito que quem está do meu lado sabe disso. Procuro sorrir o máximo que eu conseguir. Minha ansiedade não é um câncer em que eu vou morrendo aos poucos, então até o dia em que bruscamente eu me perder, muito provavelmente eu estarei sorrindo.

    Provavelmente você que está lendo isso não imaginava um texto como esse, mas as vezes a gente precisa olhar bem o problema. Isso não é uma exposição para dizer: "tenham dó de mim". Apenas acredito que como leitores vocês têm que entender algumas coisas e quem sabe é também um modo de dizer que se alguém sofre com esse problema ela não está sozinha. Podemos nos ajudar! Eu estou querendo fazer desse blog meu principal alicerce porque pessoas: elas decepcionam. Então preciso mesmo mostrar um pouco de mim fora de toda a produção de um post. Então vamos a aprender umas coisinhas juntos? Vamos! Ah sempre que eu atualizar essa lista avisarei. Desculpem o transtorno, mas eu precisava falar disso. Até o próximo post. X.o.X.o, a garota do blog!

Ps: As ilustrações aqui presentes são da revista online Capitolina.

  • Você está do dia 12 de Janeiro de 2016. Não é ontem, nem amanhã. É hoje! É o presente
  • Você não poderia mudar nada. Porque você, com aquela idade, com aqueles medos, com aquele coração machucado, não poderia fazer nada muito diferent
  • É permitido cometer erros
  • A sempre um recomeço esperando por você, mesmo que essa seja a 2345677 tentativa.
  • 21 dias fazendo algo, é possível
  • Não exija muito de você mesmo
  • As pessoas não sentem o que você sente, então não viva a vida que ela quer que você viva
  • Melhor feito que perfeito
  • Um dia você morrerá, portanto viva a vida que lembrará
  • Seja feliz e conte sempre comigo

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