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Menina, solta esses cachos!

by - janeiro 26, 2017


      Recentemente tive uma conversa com um amigo e em meio aos bate papos do cotidiano começamos a falar de cachos, e então mencionou algo sobre preconceito envolvendo a ditadura do cabelo liso. Eu sei que naquele momento ele esperava de mim os mais sinceros depoimentos de dor e superação para assumir meus cachos. Acho que naquele momento até eu esperei isso, então fiz um esforço para meu cérebro viajar pelas lembranças de infância e tentar desesperadamente encontrar um lugar ali que existisse traumas envolvendo meu cabelo, porém nada foi encontrado. ok, dizer "nada" também é exagero. Lembro de algumas coisinhas, mas minha história fica pra outro post. 

     Como eu disse o blog não é só um "Prazer, Laize" é um Prazer (insira aqui seu nome, o nome dos seus pais, do seu tio, do seu cachorro...), então eu pedi as leitoras do blog (fofíssimas) para que me contassem suas histórias de Transição Capilar e claro seu amor pelos cachinhos. Espero que vocês se emocionem com as histórias assim como eu: que precisei de umas três caixas de lenços. X.o.X.o, a garota do blog.

DEPOIMENTOS:
❤ Flavia de Sousa (que sugeriu o post no blog)

     "Queria iniciar com as seguintes palavras, voltar para meu cabelo natural foi só consequência de uma transformação e aceitação interna. Na minha infância eu tinha grandes incômodos com a minha aparência e, isso não diz respeito somente ao meu cabelo. Mas ainda a cor da minha pele, meu nariz e todos os meus traços de negra. Lembro-me de alguns episódios, de quando criança, tentando fazer chapinha com o ferro de passar rs. Aos 13 anos depois de muita insistência, consegui que minha mãe mandasse fazer o famoso alisamento em mim e na época o cabelo dela também era alisado. E assim, me senti em parte realizada e, como de praxe, todos os dias passava a afamada chapinha. Não importava o quanto eu desembolsasse em cauterização, massagem, óleos, hidratações e afins, eu sentia que cada vez mais meu cabelo perdia a vida. Mas eu sempre fui muito, muito mesmo, teimosa. Nossa.  Mesmo sabendo que meu cabelo caia o equivalente a uma peruca todos os dias, eu não deixava o orgulho de lado, e dizia “esta merda de cabelo vai ser domado uma hora”. Foi quando eu fui estudar longe de casa, todos os orçamentos para custear meu cabelo diminuíram drasticamente e, eu teimosa retrucava “vou deixar voltar ao normal porque assim gasta muito” – como eu era inocente – mas, aos poucos, eu sentia mais ódio daqueles fiapos de cabelo, criei uma zona de implicância com a chapinha, todo aquele cheiro de formol e química que já faziam parte da minha vida há tanto tempo, estava me embrulhando o estômago. Eu mudei completamente e, não foi só o cabelo. Eu lembro que no dia 07 de dezembro de 2015, entrei no meu quarto, olhei para tesoura e a peguei, chorei segurando a tesoura, mas não tive coragem de cortar. Não sentia mais que aquele cabelo fazia parte de mim, dos valores que adquiri, das minhas crenças, mas e, o medo? Eu estava há cerca de 6 ou 7 meses sem química, meu cabelo natural estava curtíssimo.  Comentários do tipo “cabelo curto só combina para mulher alta” “cabelo cacheado só fica bonito grande”. Aquilo tudo ficou me assombrando. Mas no dia seguinte, eu acordei com tanta, tanta raiva de mim “porque estou me preocupando com isso?”. E no dia 08 de dezembro de 2015, fiz uma das melhores escolhas da minha vida CORTEI MESMO, PEQUENO, JOÃOZINHO, CURTO. A letra em caixa alta foi porque lembrei a sensação de meter o loko que eu tive rs. E desde a primeira vez que me olhei no espelho, senti que eu estava LIVRE. Mas a sensação de liberdade avançou em todos os sentidos, porque agora eu entendo que trago traços dos meus bisavós escravos, do meu povo guerreiro, é a história de sofrimento e luta que carrego no meu sangue. Como eu poderia ter vergonha disso? Como eu pude tentar suprimir minhas raízes e, ainda alimentar o racismo que fez meu povo sofrer durante anos? A resposta é que para a ditadura da beleza, o que remanesce é um padrão vazio, preconceituoso e que não cabe diversidade. A beleza não é única, o bonito não é uniforme, não é uma lei, um regimento rigoroso a ser seguido. Alguns dias depois minha mãe também fez o “big corte” e, agora anda em um narcisismo que tá difícil de aguentar Hahaha. Brincadeira, mãe te amo. A questão é, eu odeio quando tudo isso é tratado como modinha, foram tantos anos em que coloquei minha alto estima de lado para tentar me encaixar, como já não bastasse os anos de padecimento e tortura, que são nada mais do que as marcas que a escravidão de um povo. Eu tenho orgulho de trazer os traços do meu povo. E hoje, eu sinto que é uma luta que está só começando. Mas, quer saber? Eu carrego minha resistência no sangue. Muito amor e aceitação para vocês."

  
 ❤ Lilian Amélia


     "Eu nunca fiquei lisa por mais de uma semana, mas pelo menos a cada 6 meses eu ficava para abaixar o volume do meu cabelo. Relaxamento era o nome do processo. Eu ficava feliz por que, segundo minha mãe e a cabeleireira, ia ficar mais fácil para que eu mesma pudesse cuidar do meu cabelo. Mal sabia eu que eu estava alisando meus lindos cachos aos poucos. Só parei com os relaxamentos quando vi o quão liso ele estava e frágil, sem cor nem brilho, cinza até. Em 2013 eu resolvi arrancar de mim toda a parte relaxada e ficar só com os cachos. Bateu aquele arrependimento quando vi que o cabelo mal chegava no ombro, usei até aqueles apliques para disfarçar o comprimento dos fios. Mas em setembro de 2014 eu resolvi que leão não era bicho para ser criado em cativeiro e libertei essa fera que chega até a mandar em mim. E foi a melhor coisa que eu fiz. Passei por cima de comentários como “Aos 15 você alisa esse cabelo, todo mundo alisa” e mostrei para mim mesma que esse cabelo, que possui vida própria, é tão lindo quanto os cabelos lisos que vejo por aí."


❤Thais Silva


     "Bom, Meu nome é Thais , tenho 17 anos. Estou na transição capilar a 1 ano e 5 meses! Quando eu tinha uns 12 anos , tinha o cabelo cacheado, porém não gostava muito e por isso resolvi alisar.  Por muitos anos eu achava meu cabelo lindo com Química, para min era tudo( estava enganada). No começo Não tive motivação nenhuma para entrar na transição, apenas disse que queria meus cachos de volta, então no dia 25 de Setembro de 2015 eu fiz meu 1 corte, cortei meu cabelo até no ombro, no começo foi tudo fácil mais ao Passar do tempo, meu cabelo ficou horrível com 2 texturas a raiz cacheada e as pontas lisas, fazia de tudo para que ele enrolasse todo mais nada dava certo, meu cabelo cada dia que passava ficava mais horrível ainda, cheguei até dizer que ia desistir mais graças que conheci um grupo de Cacheadas que não deixaram eu fazer isso e me  deram muitos conselhos, por mais que nenhuma é da mesma cidade que eu mais estão sempre dispostas a me ajudar, sou grata a todas elas , e hoje somos amigas inseparáveis. Então no dia 13 de junho eu resolvi fazer o famoso "BC" por mais que eu estava com medo do resultado por que não é fácil, saber que vai ficar com o cabelo bem curtinho. Quando começaram a cortar, realmente fiquei com mais medo ainda do resultado mais quando  terminou o corte eu senti a sensação da liberdade e amei ver meus cachinhos de volta. Depois que fiz o BC , realmente estava preparada para começar tudo de novo, agora é só amar e cuidar dos cachinhos a transição não é fácil não é mesmo, mais não é impossível.."
                              ❤Yanna Silva


     Dia 29 de junho de 2016 tomei uma das mas difíceis decisão dá minha vida, decidi fazer o famoso e temido "BC" com bastante medo do que a sociedade iria dizer, ali estava eu com o cabelo bem curto por onde eu passava pessoas comentavam, riam e me perguntavam porque fiz aquilo, mas nem eu mesma sabia a resposta! A maioria das pessoas que decidem voltar aos cachos ouvem constantemente algumas dessas expressões: "Porque você não deixou seu cabelo como estava?" "Cabelo liso combina mas com você" entre outros. Confesso que quando eu ouvia esse tipo de comentário, era um verdadeiro "balde de água fria". Mas continuei firme e forte. Se você enfrenta algum tipo de preconceito por esta voltando aos cachos aí vai algumas dicas. 

           ✚ Tenha determinação entenda que a fase de transição não é fácil mas é passageira.
           ✚ Não se deixe levar por comentários desmotivadores, se ame acima de tudo e todos. 
           ✚ Tenha certeza que é isso mesmo que você deseja e lute para conseguir e tenha persistência.

     O processo de aceitação do meu cabelo, mudou muito em mim, passei a olhar o mundo e outros assuntos que até então não fazia ideia que existia de uma forma diferente. É um começo de uma jornada de autoconhecimento e muitas descobertas, porque acredite, aceitação, autoconhecimento, cabelo, e muitas outras coisas, geram mudanças internas em você.

                           ❤ Crícene Paula

      
     Meu nome é Crícene Paula. Tenho 32 anos  E estou transição capilar a um ano. Pode até parecer doido mais cortei meu cabelo bem curtinho para voltar ao cacho após uma tragédia na família. A ano atrás o ex esposo dá minha prima sequestrou  e assinou brutalmente ela logo após cometeu suicídio.  Eu fiquei triste frustrada decepcionada e com raiva no meu coração. Algumas pessoas podem dizer "ha mais isso é normal depois de algo assim"!  Mais o meu coração é morada de Deus porque sou templo do seu espírito santo. Então esse lugar preciso manter limpo sem o lixo do ódio, rancor raiva etc...  Fiquei pensando e decidi arrancar aquilo que tava sentido queria me libertar, deixar uma marca de que aquilo não iria abalar minha vida, que esse fato não ia me fazer perder a fé e deixar de acreditar no ser humano. Então decidi cortar o meu cabelo que tava com 2 meses que tinha feito a raiz (progressiva)  me sentia até bem com o cabelo que tinha, mais confesso que foi realmente uma liberação só de saber que não preciso de chapinha, de alguém ficar puxando meu cabelo com o secador e não precisar sentir os cheiros dos produtos é uma verdadeira liberação. Não discrimino quem quer usar seu cabelo liso cada um tem que viver como se sente bem. Mais eu não preciso mais disso."

                           ❤ Natalia Sousa


      "Quando eu decide realmente que eu queria volta com o meu cabelo cacheado já faz mais ou menos uns quatro ano foi em dezembro de 2014 que eu decide, pra mim foi uma uma mudança radical uma coisa que eu resolve fazer de uma hora pra outra nem sabia que eu tinha essa força de vontade toda. e sinceramente não foi uma decisão facial foi a época onde eu me sentir totalmente vuneravel   onde a minha autoestima fica extremamente baixa mas eu deixei esse medo de lado e mergulhei profundamente nessa jornada  em descobri quem realmente "quem sou". passei mais ou menos 10 meses sem passa chapinha ou fazer alisamento no meu cabelo, ai eu disse pra me mesma que eu iria corta toda aquelas portas alisadas que faltavam e que estavam horrível me lembro como se fosse,ontem foi no domingo de novembro   do ano de 2015 não irei mentir pra você dizendo que eu me sentir liberta quando eu cortei aquelas portas lisas me bateu um grande desespero quando me olhei no espelho e vim o que  eu realmente havia feito e fiquei imaginando como eu iria encara a sociedade na segunda, havia outra parte de me que estava extremamente feliz por eu ter feito isso por que foi um passo pra me aceitar o meu cabelo crespo cacheado pra me aceita que eu era negra e essa felicidade tomou conta de me,eu colei essa minha cara  no sol e fui ser feliz foi dai que eu comecei a ama esse meu jeito esse meu cabelo e meu corpo e esse meu rosto gordinho e estou realmente realizada comigo mesma. Mas eu quero lhe disse uma coisa nao foi facil eu encontrei pessoas boas que me ajudaram me apoiram mas também gente que me olharam torto, me disseram que não estava  legal, que era mais bonito liso, claro que eu não ligava para essa pessoa pq eu ja havia falando pra me mesmo o que eu queria e nao seria essas palavras que iam me fazer volta a traz e claro que teve dia que eu me deixava leva por essas palavras e quando chegava de noite em casa eu ia pro meu quarto e chorava em silencio e pensava em entra em um salão e fala pra mulher alisa meu cabelo de novo mais ai eu pensa comigo mesmo "sera mesmo  que vale apena eu escutar o que essas pessoas me falam ou devo seguir em frente?" era uma pergunta que eu me fazia diariamente, mas ate agora eu nunca voltei atras e hoje em dia o meu cabelo esta tão maravilhoso hoje em dia eu posso me olha no espelho e fala que eu so lindaaaaa e nao precisa que alguem fale que meu cabelo e bonito ou que sou bonita pra me pode sentir bonita eu agroa tenho uma coisa chamada amor proprio,  auto estima e auto confiança  e nisso que eu trabalho diariamente e posso disse uma coisa nao foi so o cabelo mudou mais dentro de me tambem mudou. tem frase que eu li que eu gosto muito que e assim "fui procura meus cachos e encontrei o meu verdadeiro eu" foi isso que realmente isso que aconteceu. uma dica que eu vou deixa pra voce e que tenha perseverança e muita paciência,pois e isso vai  precisa na transição capilar. e isso ainda nao lhe ajudar joga no youtube o tema e o que voce mais vai encontra e mulheres cacheadas falando sobre esse tema. bjs a e outra coisa o seu cabelo nao e moda e sim resistência. 
                      ❤ Nayanne Brandão


     "Quando decidi assumir o meu cabelo crespo, não foi uma decisão tão fácil,  tipo,  eu não acordei e "Uauuuu, hoje eu vou assumir meu cabelo cacheado, por que eu quero ser livre dos padrões da sociedade", não, não foi nada disso principalmente por que vivemos em em uma sociedade na qual a uma "boa aparência" é tudo, e cabelo cacheado fugia totalmente dos padrões exigido, o pior não era nem a sociedade em si, era as , piadinhas, e os apelidos dentro do ciclos de amigos e familiar que deveria te apoia. Eu era uma pessoa insegura com minha aparência, eu achava que pra ser linda precisaria ter o cabelo liso, por isso decidir passar vários produtos químicos no meu cabelo, e me "casar" com a chapinha, no início foi Maravilhoso, como em qualquer relacionamento rsrsrs, mas com um determinado tempo meu cabelo começou a cair, e naquele momento eu não sabia o que fazer, eu não me preocupava com o bem estar do meu cabelo, mas com o que as pessoas iriam falar da minha aparência. Cara, eu lembro que eu chorava muito, por que eu sabia que se passa-se chapinha meu cabelo ia quebrar cada vez mais e eu não podia fazer nada para melhorar aquela situação, a não ser hidratar, e foi aí que tudo começou. A raiz do meu cabelo estava cacheada e eu percebi que podia recuperar meus cachos, porém eu estava com a ideia fixa na cabeça que, eu deveria cuidar e depois continuar chapando para poder ser linda e "aceitável". Mas um belo dia recebi uma visitinha inesperada de uma pessoa muito querida, e  aquele dia era ajustamento o dia que eu tirava para hidratar meu cabelo, quando ele me viu daquele jeito, ele olhou e disse " Nossa, como você fica linda com o cabelo assim, por que você não deixa ele assim, cacheado?". Então, foi isso, justamente isso que me deu coragem, talvez era o que  eu precisava, só de uma apoio para me libertar e pedir o "divórcio" da chapinha rsrs. então, a partir daquele momento cuidei mais do meu cabelo, e passei por apenas 1 ano de transição, que não foi nada fácil, ouvir várias pessoas dizendo, " seu cabelo não vai voltar ao normal", " tá na hora de fazer essa raiz", " cabelo cacheado não é mais pra você", e o pior de todos os comentários, "você é branca não pode ter cabelo ruim". Mas enfim, o mais legal disso tudo, é que minha "juba" voltou e que eu sou influência para várias meninas, no meu setor de trabalho e faculdade, então para mim tudo valeu e vale a pena ."


                        ❤ Camila Maciel 


   "Falar de cabelo está bem mais ligado com autoestima do que com a estética, durante toda minha infância/adolescência e até boa parte da minha juventude eu sofri muito preconceito tanto por muitos de meus familiares quanto dos meus amigos de escola, por causa do meu cabelo e do fato dele ser Crespo ou Cacheado ou como vocês queiram classificar ele, e do meu padrão de beleza não se encaixar ao gosto pessoal da maioria das pessoas que me cercavam. Lembro-me bem de algumas chacotas que eu ouço durante toda a minha existência que me marcaram muito, piadas do tipo: "cabelo de bombril" "espanador" "nesse teu cabelo não entra água" "esse aí não entra pente" "tem até bicho se duvidar aí dentro" “não tô conseguindo ver o quadro porque o teu Bombril ta tampando a visão” "como tu consegui pentear?" etc. Me senti muito mal durante muito tempo por não ser parecidas com as minhas colegas que tinha o cabelo liso, sempre sofri de autoestima baixa porque todos os garotos só olhavam para as meninas de pele mais clara e de cabelos lisos, cheguei a me perguntar se o problema estava em mim, com o tempo eu aprendi que o problema não estava em mim, mais sim não pessoas que só enxergavam a beleza de uma única forma, que só as pessoas que possuíam cabelo liso eram bonita. A partir dai comecei a pensar de forma diferente, foi quando eu percebi que eu poderia sim ser linda, mesmo com o meu cabelo cacheado, passei a me amar e amar mais ainda o meu cabelo, quando eu descobrir a jubá que ele pode ficar, e cara hoje eu sou completamente apaixonar por cada detalhe do meu cabelo, amo o volume, a definição que ele tem, por que não até pelo tão temido frizz?. Chega até ser engraçado lembrar e ouvir as pessoas me mandarem abaixar o volume do meu cabelo porque elas acham feio. Hoje posso dizer a todos e principalmente as cacheadas que estão no processo de transição se amem como vocês são, cada detalhe do incrível cabelo que possuem, aprendam a cuidar e entende-lo e perceberão que essa versão é a melhor que Deus poderia da a cada uma de vocês. Os paramentados certos são os que ti fazem sentir bem, e não os das outras pessoas. 

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